quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Sem fim

              Encontrava-me em um corredor, longo e escuro. Eu ouvia vozes conhecidas, cada uma dizendo onde eu deveria ir. Encostei-me a parede e pude sentir uma maçaneta roçar em minhas costas, continuei a me guiar pelos cantos e ao longo do caminho, pude sentir que aquela não era a única que tinha. Estava cercada de portas. Tentei enxergar o que o letreiro delas dizia, mas não era legível. Parecia dizer o nome de alguém, as informações sobre o alguém, e o eu sentia sobre ele. Arrisquei-me a abri-la, enxerguei coisas que antes não percebia, mas que estavam lá, no meu coração. Verdades que achei que nunca aceitaria. Pude ver laços com a pessoa, tinha dois lados, o meu e o dela. Alguns se enroscavam e os laços se juntavam, mas não estavam ligados, eram apenas conhecidos. Cada laço tinha sua resistência, uns pareciam que nunca iriam se soltar e outros faltavam pouco para serem desmanchados. Percebi que em um, o laço estava mais conectado ao outro, uma parte frouxa e outra resistente. Os laços me impressionavam, mas as vozes me chamavam pedindo para seguir um caminho. Eu estava cansada, não conseguir entender nada além de sussurros. Mas de alguma forma, as vozes não apenas falavam, elas nos mostravam.

 
  As portas pareciam ser as únicas coisas que tinham naquele lugar, mas me deparei com uma janela, parecia ser velha, e que nunca tinha sido aberta. Ao tentar abrir, minhas mãos ficavam sujas com tanta poeira, estava enferrujada. Usava toda minha força pra empurrar e ao finalmente conseguir abri-la, uma tempestade de imagens e letras me acertam.  Levei minha mão a uma imagem e a toquei, e logo reconheci o que era. Eram pensamentos, talvez todos que eu havia tido. Quando os tocava, podia sentir o mesmo que havia sentindo quando tive. Parecia real. Tentei fechar a janela o mais rápido possível, pois segundos depois de ter aquele pensamento, já não me lembrava o que era. Escorreguei e tropecei em algo de madeira, olhei pra baixo e vi uma pequena caixa. Abaixei-me até ela e a abri, logo veio um brilho forte no meu rosto, a única coisa que eu enxergava era milhões de caixinhas dentro dela. Retirei uma e vi algumas imagens passarem rápido, eu me via na imagem, pude me reconhecer, era eu quando pequena. Tive a conclusão que aquelas seriam as memórias, desde as mais antigas até as recentes. Lá tudo era frágil e sensível, facilmente poderia ser manipulado e trocados os pensamentos, as coisas boas por ruins, as memórias podiam ser alteradas e ninguém perceberia.

1 comentários:

Deb Adamatti disse...

muito perfeito *-*

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